Por quê e para quem escrever?

Reagi durante um bom tempo a escrever minhas vivências pessoais, profissionais e rotárias com motivos interiores. Perguntava-me quem teria interesse em ler o que eu vivi, senti, fiz, desfiz e traquinei? Meu senso crítico sempre prevaleceu ficar apenas comigo e com alguns dos meus familiares e amigos para contar minhas estórias e histórias.

Mas, com o passar dos anos tive de sair da caverna interna. Já disse que até os trinta e cinco anos meus escritos nunca foram na primeira pessoa, para fugir do egoismo e até de auto-promoção ou exibicionismo, e sim na terceira. Descobri que escrever na terceira pessoa, mesmo se referindo a mim, autor, as pessoas não valorizavam a forma de comunicação e seus efeitos. Nas colunas ´Luzes da Cidade´ e `Fala o Povo`, pela Última Hora, e `Ciranda dos Clubes´, no Diário do Paraná, eram poucas as necessidades em citar o colunista e a terceira pessoa supria bem o que se pretendia comunicar.

Já nas colunas sociais do Diário, de O Paraná em Cascavel, no Jornal do Estado de Curitiba e mesmo no caderno regional da Folha de Londrina, a comunicação deveria ser na primeira pessoa, até porque as finalidades de suas notícias e de fotos legendadas eram para promover e destacar pessoas, personalidades. A transposição da terceira para a primeira pessoa foi difícil e constrangedora. Consegui não mais me envergonhar em ficar na primeira, sempre procurando me conter na promoção pessoal exagerada.

Quem me dá o prazer de acompanhar esses textos do blogue de relembranças pode até dispensar de ler o possível livro que estou estudando lançar nestes próximos meses, quando atinjo os setenta e cinco anos. Há um amável incentivo para isso do meu filho Cassiano, desde Londres, onde mora com Déborah e netos Theo e Max. Tomara que Deus me dê saúde, disposição e uma mente que garimpe o túnel dos tempos vivenciados. Torço que sim.

Se essa obra sair, mesmo que poucos me leiam, espero ter deixado alguma marca útil para os viventes descendentes. Para se instigarem, usarem ou abusarem e na lápide de um imaginário túmulo sorrirem com a também imaginária frase de `Aqui Jaz Um Cara Que Batalhou Pela Paz!´

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