Se deseja experimentar uma atividade interessante, vá criar galinhas ou engordar frangos. Vai ver como é fácil ter esperanças de lucros e certamente comprará remédios para aliviar suas dores-de-cabeça.
Logo que a SADIA se instalou em Toledo e em outras cidades do Oeste paranaense, não foi uma nem duas vezes que o diretor e rotariano Pedrinho Furlan sugeriu que o engenheiro Cláudio Mesniki e eu entrássemos no programa de integração da empresa para engorda de frangos. Havia facilidades na compra de áreas, com bons financiamentos, etc. e tal. Cláudio era o superintendente regional da COPEL e eu seu assessor de relações públicas. Ficamos interessados mas esse tipo de trabalho não era nosso campo.
Poucos anos depois, eu consegui ter realizado um velho sonho de ter um pequeno sítio. Eram 15.000 m2, à beira da rodovia em direção a Corbélia, uns 8 quilômetros de casa. O local era cheio de guabirobeiras e tivemos que abrir uma clareira na área para erguer um pequeno rancho e mais tarde um paiol para engordar cinco mil frangos. Fiz isso com ajuda de um pernambucano que estava a fim de trabalhar.
Com recursos próprios, construímos o pavilhão com 10 m x 50 m. Para ter um ambiente fresco, a cobertura foi feita com chapas de flandres, aquelas descartadas na impressão de jornais, sobrando muitas delas no jornal O Paraná, onde morava. As junções no telhado eram feitas de costaneiras de roletes de eucaliptos ou pinus, conseguidas na empresa do vizinho Licínio Poersch. Cobria bem e não transmitia calor. Evitava, assim, uso de ventiladores no galinheiro. A pequena casa também foi erguida com costaneiras de madeira
O filho do pernambucano construtor da casa e do galinheiro, de nome Luiz, passou a ser meu caseiro e cuidador da engorda de frangos. A integração foi contratada com Roberto e Jacob, da Diplomata, com sede num bairro de Cascavel. A gente recebia os pintos e as rações, nosso trabalho era não deixar faltar água e comida e aplicar as vacinas. As primeiras integrações foram razoáveis, praticamente cobrindo os custos, lucro que seria bom, nada. A cada 52 dias entregávamos os frangos e fazíamos as contas. Chegou um tempo em que a razão subia e o preço do frango estagnava, havendo prejuízo, tirado do bolso com muitas dores.
Pior mesmo quando por duas ou três vezes a empresa combinava buscar os frangos ao meio dia, hora em que se esgotava a ração,e somente pela meia noite chegava o veículo coletor. Perdíamos, em 10 horas, quase 10 por cento do valor final previsto pela engorda dos frangos.
Claro que me desfiz do galinheiro e da casa, com o terreno, para cobrir a quase falência pessoal. Em alguns eventos de amigo, surgiu a gozação de um amigo comum, de apelido Tucão, o Jorge Samways, sempre que eu falava querer voltar a produzir e engordar frangos, que dizia “Surek, tire o pinto da cabeça!”
