Numa bela e tranquila manhã, por volta das 7 horas, dirigindo minha D 20 branca, eis que surge à frente, cortando a rodovia BR 116, no quilômetro 158, em SC, um outro veículo, numa curva, querendo passar para o lado esquerdo. Minha velocidade, ali, era de uns 90-100. Tentei jogar ao máximo meu carro para a esquerda, mas não deu, bati na lateral esquerda do outro. Uma pirueta para cá e para lá e minha D 20 tombou duas vezes, eu amarrado no cinto e vendo o mundo girar, as coisas do interior voando pelo seu interior. Ao parar, vi que no tombo a parte de cima tinha passado por um toco de árvore, e ficou amassada. E, ao sair do carro, atordoado, vislumbrei início de uma chama, correndo para apagar, mas com os dedos da mão! Queimei-os de pronto, mas apaguei.
O outro condutor não tinha carteira e o veículo não estava em seu nome e com uma carrada de multas e licenciamentos não pagos. Vários trechos da 116 eram ainda pista simples. Depois do acidente , a concessionária impediu cruzamento de veículos no local, colocando uma tela de proteção lateral. Hoje, naquela parte, há pista dupla em direção a Santa Cecília…
Eu era um feliz proprietário de um Maverick amarelo, com motor mustang, que me permitia pegar velocidade rápida para ultrapassar veículo à frente. Fazia o trecho Cascavel-Curitiba em quatro horas no máximo, numa distância de 500 quilômetros. Lembro que saí de Corbélia, num domingo de madrugada, depois de apresentar um baile de debutantes, e parti para a portaria da Usina Hidrelétrica Foz do Areia, em Guarapuava, chegando exatamente na hora da vinda de visitantes à obra numa precisão calculada impressionante. Ainda bem que não havia na época as lombadas e os controles de hoje, pois não teria recursos para pagar tantas multas.
Havia um vendedor de publicidade do jornal O Paraná, do qual não lembro nome, que sonhava em comprar o carro. Nem sei porque, e me arrependo disso até hoje, resolvi vender a ele na confiança, ou seja, passei o documento de propriedade a ele e combinei que à medida que teria dinheiro, me pagaria. Até que eu precisava do valor da venda, mas nunca me pagou. Viajou para uma cidade de Santa Catarina e sumiu por completo do mapa, com meu Maverick amarelo!
