Vocês devem ter perdido a paciência em algum instante de suas vidas. Na minha, foram muitas e todas desnecessárias para o bom viver. Estes dias, participando de uma assembleia em meu Condomínio, eis que no final me alterei um pouco e não me gostei. Um dos moradores, isso é comum em condomínios e imaginemos quando há 264 unidades, insistia em intervir em vários assuntos, cobrando coisas do síndico, fazendo crescer a animosidade no ambiente. Talvez o salão não tenha uma boa e ideal acústica, mas os sons das vozes foram crescendo e irritando grande parte da plateia. No final eu levantei o tom e pedi mais cordialidade, mais respeito. Qual o que, iniciou-se um pequeno e inútil bate-boca, com agressões verbais ao síndico e ao presidente da mesa. Reunião terminada, eu pedi desculpas a vários, não sei mesmo se as aceitaram, mas que foi chato para mim, isso foi. Não me envergonho e me incomodo em pedir perdão, que talvez seja uma virtude escondida minha.
Tive na garganta nada doce, por mais de vinte e cinco anos, o nome de meu professor ginasial de ciências, Ernani Costa Straube, um historiador famoso e respeitado no Paraná, porque ele teria participado de uma comissão de atualização do brasão e bandeira paranaenses na década de 80 e 90; na minha ignorância achava que teria ajudado a não aprovar o resultados dos estudos e sugestões da comissão oficial nomeada pelo Governo Jaime Lerner. Nisso, soube agora, quando fui no site da Academia Paranaense de Letras e busquei detalhes de seus trabalhos, estava eu redondamente enganado. Ele deu entrevista lamentando que tudo foi aprovado dentro da heráldica e de conteúdos explicativos, o governador baixou decreto aprovando os resultados dos trabalhos mas o Tribunal de Justiça, não se sabe por influência de quem, nem o professor soube, impediu o uso do novo brasão e da nova bandeira. Acho que os ´sábios´ desembargadores não quiseram que a figura do brasão fosse trocada do lavrador ceifador para o lavrador semeador… Autofagia de juízes paranaenses grassava naquele tempo e continua grassando com o decreto até hoje não implantado. Minha ´pisada da bola´ foi apenas mental, pois nem o querido professor Ernani Straube soube disso. Preferimos cortar do que semear.
