Era uma pequena distância entre o vilarejo de Lipinki, em Tarnów, até a residência da tia Helena e seus parentes, acho que sobrinhos, já que sua única filha tinha emigrado para os Estados Unidos e raramente lhe dava notícias A primeira coisa que me lembro foi ver uma senhora já grisalha abrir os braços e, logo me reconhecendo, exclamou ´Mieciu, Mieciu´, o diminutivo do meu nome em polonês. Essa forma calorosa e carinhosa me intrigou, pois não imaginava que ela tinha alguma imagem de como eu era. Entrando na casa, logo vi uma foto minha de formatura como técnico em contabilidade, que minha mãe Anna tinha lhe enviado, quando ainda mantinham alguma relação por cartas. Estava à vista num armário na sala.
A primeira impressão é que ela e os primos estavam um tanto curiosos e assustados com minha visita. O motivo era de que, com a derrubada do Muro de Berlim, e a abertura política com o Leste Europeu, muitos parentes de imigrantes que foram para países do Ocidente voltavam à Polônia e regiões de suas origens em busca de resgate de propriedades que tinham sido tomadas pelos governos comunistas. A terra em que meus parentes moravam era a original onde meu pai, tios e tias nasceram, certamente diminuída pelas autoridades comunas.
Havia ali ainda uma casa de troncos, pequena e com teto baixo, obrigando-me a me curvar quando ali adentrei. Era a casa onde vivera minha avó Wiktoria. Ao lado, um poço e um pouco mais adiante o leito de um pequeno riacho sobre o qual tinha algumas lembranças ditas na infância pelo meu pai Francisco., Um paiol abrigava uma vaca e feno para sua alimentação. Tudo muito simples.
Minha tia tinha acabado de construir uma casa de dois andares, tipo quadrado no estilo americano, com financiamento a longuíssimo prazo, com dificuldades, é claro. A primeira coisa que vi era um televisor a cores, recentemente comprado, não funcionando por não ter recursos para a antena. Dei vinte dólares a ela antes de sair de sua casa, para essa antena.
Ela não tinha geladeira, mas TV a cores sim, como acontece muito em nosso Brasil com os longos financiamentos das lojas. Conversamos um pouco e ela foi preparar um almoço, tirando carne cozida de uma lata de banha. Muitos imigrantes poloneses trouxeram esse hábito ao Brasil para conservar comida, antes de comprarem geladeiras importadas.

Emocionante, Mices continue escrevendo pois assim compartilhamos suas vivencias.
Obrigada cunhado preferido
Opa, obrigado cunhada preferida e pela fiel leitura. Enquanto não atrofiar a memória, vamos em frente!