Acredito que já revelei uma certa dificuldade de dormir desde os 45 anos por mais tempo que as sugeridas saudáveis oito horas. Sou de cinco a seis horas, posso até ficar mais tempo, mas dormir mesmo não passo de seis. E a pergunta sempre é a de como usar esse longo tempo restante.
Acostumei fazer e inventar mais coisas, além das atividades corriqueiras no trabalho e na arte de cultivar amizades, seja nos clubes de serviço, nas reuniões e seminários, nas escolas e faculdades. Até ouso avaliar que tenho talvez um milhão de amigos, os distantes, os mais perto e só Deus sabe ou tem esses dados e talvez a internet também. Mesmo que um pequeno número me acompanhe nas minhas intervenções através desta escrita. Consolo-me e me regozijo que muitos leem e comentam, ou ficam no seu reservado mental.
Aprecio jogar cartas, cacheta principalmente, nos tempos livres e de descontração. Adoro cultivar minhas árvores, minha sementeira de pinhões, minha horta e minhas flores. Minhas abelhas me aguardam nas atenções. Meus cães daqui da chácara, mesmo que latam quando vou sair do portão. Meus parentes e familiares que me alentam todos os dias.
Depois de sessenta anos, passei a fazer meus próprios arroz e feijão, com omeletes ou carnes. Desde menino, quando voltava do colégio, ali pelas 23 horas, sempre preparava meu virado, ou seja, tudo que sobrava do dia minha mãe deixava na geladeira e lá ia eu fazer o gostoso virado, feijão e arroz e ovos misturados. Uma delícia.
Aprendi nas décadas de 1990 a 2000 a preparar um prato de sucesso, o entrevero de pinhão, de Lages, com os ingredientes bacon, pimentão verde, salsinha, cebola, carnes bovina e suína, linguiça calabresa e acrescentei aipim. Tudo cortado em cubos. Uma briga de coisas, daí o nome do prato. Se deseja uma paçoca de pinhão, vai tudo triturado, moído, com os mesmos produtos. É super, supimpa, gostoso. Num disco grande de arado, divirto-me e me honro pela oportunidade de curtir. Meu mestre principal, Sérgio Rotta, do clube Lages Norte, sempre me dá suporte e paciência nas dúvidas.
Agora, graças ao presente do dia dos pais, ganhei uma fritadeira elétrica sem óleo. Filhas Clarissa e Alessandra, filho Cassiano e minha filha americana Jaye Brown, uma das seis inter-cambistas de Rotary que acolhemos, foram os presenteadores. Faço com facilidade minhas refeições e talvez garanta minha longevidade.
Penso que essa nova atividade, na arte da gastronomia, continue a usar meu tempo com alegrias mil. Convidem-me para lhes preparar meus pratos.
