Sim, tenho minha religiosidade, talvez não tão praticante como queria ou devia pelas minhas raízes de descendente de poloneses católicos, apostólicos e romanos. Deus deve ser algo superior e milhões acreditam Nele. Não creio que uma pessoa negue acreditar em algo maior na sua vida, pode se designar agnóstico ou qualquer coisa parecida. Duvido daqueles que não têm um pouquinho de fé, se não acreditam num Ser superior, mas pelo menos possuem fé em si mesmos. Deixemos isso de lado por talvez motivar raciocínios que não terão um bom fim.
Estes dias, num velório, fiz a pergunta para conhecidos e amigos de jornalismo e outras áreas, o do por quê estamos privilegiados com a vida tão longa, eu quase nos setenta e cinco anos e outros passando dos noventa e, ainda, lúcidos e com memória em forma. Alguns quase chegaram a me convencer, mesmo dizendo que talvez estejamos abençoados (olha a crença!) porque ainda não completamos nossa missão na terra; outros mencionaram que a medicina avançou muito no planeta e isso tinha a ver com a crescente (paradoxo) longevidade.
Vamos crer que seria isso e mais algumas coisas muito pessoais., no meu confortante saber, ou achar que é isso mesmo. Sabedoria não existe em prateleiras de mercado, não se adquire apenas por querer. Adquirir experiência ao longo da vida, com erros e acertos, mais erros que, certamente culmina, como prêmio, com algumas caixinhas de sabedoria. O que fazer com ela, a sabedoria, é que são elas. Descobrir e usar a percepção nos momentos vivenciados seguramente seria uma receita ideal. Problema é, mesmo, saber perceber e usar isso para tornar melhor a sua vida.
Minha longevidade deve servir para continuar construindo nem sei bem o que, mas tenho certeza que os próximos tempos, se os tiver mais, devem ser dirigidos para minha maravilhosa família, com seis netos, três moças e três garotos, um deles, o Oliver Thomas, completando hoje seus doze anos. As netas Sophia Cristina e Paula Beatrice, formaram-se estes dias na Universidade de Pensilvânia e na Escola St. Francis, nos Estados Unidos. Estivemos com elas e familiares comemorando o resultado do esforço em bem saber. A neta Stella, com seus quinze anos festejados dia 17 deste mês, tem uma trajetória estudantil invejável, hoje curtindo aniversário com tios Déborah e Cassiano, e primos Theo e Max, em Londres.
Chegar aos cinquenta anos de casados, Cristina e eu, em maio deste ano, e ter filhos formados, como Clarissa, Alessandra e Cassiano, com especializações, mestrados e outras conquistas pessoais, pode me colocar num degrau de pai abençoado por Deus, junto com minha brava mulher (ela não gosta da palavra esposa). Terei que cuidar muito da minha catedral, corpo e alma, para curtir os anos que me restam. Sim, creio mesmo que essa longevidade ainda é uma dádiva e bênção de alguém muito superior para que eu cumpra a missão, seja ela qual for, nesse insondável túnel do futuro…
