Primeira Viagem à Polônia (2)

Bom, chegando na estação de trem em Tarnóv, na tarde daquela sexta-feira, e busquei um táxi para  me levar até Lipinki. Foram os sessenta quilômetros de conversa permanente com o motorista, que se maravilhava com minha estória de ser brasileiro, filho de poloneses e ainda falando o polonês! Na verdade, me faltavam substantivos e verbos mas aos poucos fomos no entendendo. Deixou-me na frente da igreja local, já de noitezinha e me dirige até o interior dela, pois estava sendo oficiada uma missa.

Terminada a missa, fui falar com o pároco, dizendo quem eu era e o que vinha fazer ali. Ele revelou que conhecia minha família, minha tia Helena e meus primos, sugerindo que eu pousasse num dos leitos que tinha na casa paroquial e de manhã cedo, no sábado, iríamos ver alguns livros e ele me levaria até a casa de meus parentes. Assim foi. Acomodei-me e de manhã fui tomar café com os residentes, inclusive com o pároco.

Depois, levou-me até o escritório da paróquia e me apresentou os livros que documentavam nascimentos, casamentos, falecimentos das pessoas da comunidade desde início de 1800. Fui folheando e descobrindo raízes. Achei datas de quem nasceu, casou e morreu, mas nada de falecimento do meu avô Stanislaw, que, segundo soube aqui no Brasil, tinha ido para a Primeira Guerra e nunca voltado. Minha irmã Elise me disse estes dias que nossa mãe Anna Gembarowski teria revelado que o avô tinha sido morto após uma invasão de grupo de soldados alemães em sua casa. Falta-me confirmar isso visitando novamente os dois cemitérios de Lipinki, pois no mais velho nada encontrei há meses, quando lá estive com meu filho Cassiano e neto Théo, além de minha mulher Cristina.

Anotei vários nomes e várias datas de acontecimentos, como o de novo casamento de minha avó Wiktoria com padrasto de sobrenome Nowak. Esse era o sobrenome de minha tia Helena, fruto desse casamento. Em seguida, ali pelas 11 horas, o pároco ligou o seu carro, um mini Fiat 127, que era apelidado ´pudylko´, cujo significado era caixinha, e lá fomos em direção à morada de meus parentes ainda vivos.

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