Pode ser que já revelei isso, mas ao voltar do Seminário Menor São Vicente de Paulo, 1959-60, meu quartinho em casa era ocupado também pelo primo José Rendak, onde curtíamos boas conversas e dividíamos sonhos e realidades da época, que deveríamos continuar estudando e buscando empregos que nos garantissem o futuro.
Com meus ganhos de meio salário mínimo e alguns ´bicos´ na venda de qualquer coisa feita, gaiolas, alçapões, verduras das tias, etc., um dia quis um toca-disco para ouvirmos músicas clássicas. Comprei o dito em nome do primo José, já que não tinha cadastro e nem crédito na cidade e mais coleções de Seleções e nos deliciávamos em curti-las. Mais tarde, comprei de presente para minha noiva Cristina uma radiola móvel estéreo que tinha visto na vitrine de A Musical, loja estabelecida na esquina da Rua XV com Dr. Murici. Não tenho muita certeza, mada devo ter usado a conta de José para compra e fiquei pagando dez prestações pela beleza da radiola, até hoje em nosso poder, aqui na chácara, faltando ser testada para ver se ainda ´vive´…
Casa dos meus pais, existente até hoje na esquina da Pará com Paranaguá, possuía uma frondosa e produtiva pereira. Era comum subirmos nela e colhermos deliciosas peras. Também pinheiros, plantados por mim que, segundo minha mãe Anna, tinha sorte no ato de plantar, com pinhas anuais para sapecarmos nas fogueiras juninas ou na chapa do fogão a lenha. Cozinhar pinhões era coisa rara.
Havia uma dificuldade de nos relacionarmos com a gurizada das redondezas pois vim da rua Morretes, 88, distante apenas uma quadra e éramos chamados na nova localização da ´ turma de baixo´. José não morou conosco na Morretes. Com o tempo, formamos nossa nova turma e um dos vizinhos, Geraldo, filho do seu Dimas, reencontrei estes dias num evento empresarial aqui em Araucária.
Esse túnel do tempo do menino Métio ainda tem boas luzes na memória.
