Estamos no fim da década de 1980 e início de 1980 e o hábito interno no RC Curitiba, para admitir novos associados, estabelecia que se mais de 10% do quadro social votasse contra os candidatos, as propostas nem seriam objeto de análise pelo conselho diretor. Nas três tentativas de votação, o resultado dava quatro ou cinco contra dentro do quadro de 106 associados. O conselho consultava os contrários para tentar demover do voto mas eles continuavam irredutíveis.
A gestão era presidida pelo companheiro Fernando Vidal Pereira de Oliveira, então exercendo advocacia e sendo assessor jurídico da Associação Comercial do Paraná, antes de ser eleito desembargador. Seu sucessor na presidência, Werner Egon Schrappe, disse um dia a Fernando que não gostaria de presidir o clube caso as propostas das candidatas Marina Taniguchi e Rosa Maria Chiamulera não fossem resolvidas positivamente. Então, Fernando e seu conselho diretor aprovaram o ingresso delas para gáudio de 101 associados e desagrado a outros 5.
Esses associados, como resultado, trabalharam outros associados de seu relacionamento e iniciaram sua saída do RC Curitiba, criando o RC Curitiba Alto da Glória. Mesmo alguns contrários às propostas de entrada de Marina e Rosa Maria declarando ao conselho diretor de que não eram contra mulheres mas sim contra a política Rosa Maria, então vereadora na cidade, na formação do outro clube não ingressaram mulheres com profissões exemplares, permanecendo até hoje sem elas, acredito eu. Conseguiram convencer mais 15 sócios a saírem e formaram novo clube apenas com homens. O RC Curitiba ficou com 86 associados. Descobrimos mais tarde os motivos dos contrários: esposas de alguns deles não concordavam que seus maridos convivessem com outras mulheres no clube…
Vivíamos nessa passagem de décadas numa grande euforia por iniciarmos a entrada de profissionais do sexo feminino em Rotary International, em vista de uma decisão judicial nos Estados Unidos. No Distrito, nesse tempo, o então governador Lourival (Elói) Berti incentivou membros do RC Curitiba Sul a apadrinhar a criação de um clube apenas com mulheres, pois muitas das esposas eram sócias empresárias e não ingressadas no Sul. Assim, foram feitas reuniões preparatórias, culminando com sua admissão em RI no dia 17 de dezembro de 1989, com 28 mulheres na lista de fundadoras do Rotary Club Curitiba Gralha Azul, nome em homenagem à árvore símbolo de Curitiba-Paraná. Quando da solenidade de entrega do Certificado de Admissão em RI, dia 29 de março de 1990, no aniversário de Curitiba, houve admissão de um profissional do sexo masculino, mostrando a todos que Rotary não recomenda a existência de clubes de ´bolinhas´ ou ´luluzinhas´.
Paradoxos interessantes: 1- O clube do governador Berti, o São José dos Pinhais, não admitia mulheres no seu quadro, permanecendo assim até hoje; 2- O RC Curitiba Norte também era só de homens, até ingresso de Rosinha Brofmann, esposa do governador Saul Brofmann; 3- Outros clubes de Curitiba levaram algum tempo para se curvarem à nova dinâmica de Rotary e seus serviços, com mulheres; 4- Hoje, os clubes Alto da Glória, Cinquentenário, Ópera do Arame, Paranaguá, São José dos Pinhais, São José dois Pinhais Iguaçu e Teixeira Soares não são mistos em seus quadros; 5- Vou confirmar se o Curitiba Batel é só de homens; 6- Ópera do Arame só admite mulheres.
Corrijam-me, se errei em números e gênero…
