Aprender e vender para sobreviver

Houve um bom tempo em que reagi e nunca permiti que me chamassem de vendedor. Nada contra ser vendedor, uma nobre e super útil profissão, Lembro agora, com alguma admiração egoísta de que desde menino eu vendi coisas. Eram as verduras que sobraram das barras e andanças de minhas tias Sofia e Guênia nas ruas de Curitiba e, na volta, elas me deixavam as ´sobras´ que revendia às minhas vizinhas, ali nas ruas Pará, Paranaguá e adjacências na então Vila Guaíra, hoje Portão.

Fazia raias, que mais tarde descobri serem conhecidas como pipas, papagaios, pandorgas, e vendia aos piás da vizinhança. Achava varetas de painas e as fazia. Eram bonitas e bem construídas e se ganha bons trocados. A raia bidê era uma coisa linda e funcionava com mínimo de vento. Quantas e quantas vezes eu fazia sumir, no céu, as diversas raias de minha lavra! Mandava até mensagens pelo fio de barbante até chegarem lá em cima, na raia.

Com catorze anos, fui balconista do armazém de Arthur e Osny Feld, fato já narrado neste blog, recebendo deles ensinamentos de como atender o consumidor, o cliente. Era difícil, pois tinha que trazer, cada dia, do depósito, nas costas, sacos de feijão e arroz, para dispor nos locais do armazém. De 60 quilos!

Com meus eventos estudantis, festas dançantes, no salão do Coritiba, conheci o concessionário do bar, que nos contratava para servir as bebidas nas festas de Carnaval. Eu e o primo José Rendak, que estudava e trabalhava na cidade morando em minha casa, eramos os serventes das bebidas compradas pelos aficcionados. Deixávamos de nos divertir nos Carnavais do Juventus para descolar uma boa grana.

Uma vez, fui contratado por uma firma para vender a coleção Barsa. Nada vendi por não ter adequado treinamento. Vendi assinaturas do jornal bi-lingue português-polonês chamado LUD, do qual fui diretor e editor durante quase 10 anos. Vendia publicidade. Fui diretor comercial de uma revista econômica, do meu saudoso amigo Walcimar José de Souza. E também, quando colunista social de O Paraná, em Cascavel, tive que buscar patrocinadores, ou seja, vender coisas. Também como assessor de comunicação da Associação Comercial do Paraná, quando editávamos um suplemento noticioso quinzenalmente, inserido nas edições da Gazeta do Povo, onde era impresso. Era trabalho de ampliação (venda) do seu quadro de filiados.

Com mais de trinta anos, tomei consciência de que eu era um vendedor e que todos nós, ativos, somos permanentes vendedores, no mínimo a partir do nosso primeiro emprego. Concluo que somos vendedores natos, sobrevivendo todos os dias, contratando o que melhor que temos, nossa mão-de-obra pessoal e intelectual. Não nos atinamos para isso. Às vezes, sem sentir, vendemos barato a nossa maior riqueza, o poder de produzir, a nossa mão-de-obra…

  1. Sergio Levy disse:

    Muito Bom experimentar seu Blog que nos empolga com sua empolgação genuína, sacando do fundo baú histórias que nos remetem para pessoas queridas que, nas mais das contas partiram “sem partir”, deixando um legado.
    Espero poder seguir acompanhando suas traquinadas…
    Quanto ao tema “Vendedor”, considero essa profissão dentre as mais valiosas quando desempenhadas com dignidade, decoro e – para nós que comungamos a “doutrina rotária” – sob os preceitos da Prova Quádrupla, cuja essência é a Ética.
    Afetuosos e Éticos Abraços!

  2. Sergio Levy disse:

    Muito Bom experimentar seu Blog que nos empolga com sua empolgação genuína, sacando do fundo baú histórias que nos remetem para pessoas queridas que, nas mais das contas partiram “sem partir”, deixando um legado.
    Espero poder seguir acompanhando suas traquinadas…
    Quanto ao tema “Vendedor”, considero essa profissão dentre as mais valiosas quando desempenhadas com dignidade, decoro e – para nós que comungamos a “doutrina rotária” – sob os preceitos da Prova Quádrupla, cuja essência é a Ética.
    Afetuosos e Éticos Abraços!

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    • Miecislau Surek disse:

      Obrigado Sérgio pelos aportes, você é um dos personagens principais quando eu abordar fatos e conquistas que tivemos juntos em Rotary International. Espero ter a memória refrescada.

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