Mentores na Nossa Vida

Quem tem ou teve uma trajetória pessoal e profissional como a minha deve se lembrar das pessoas que nos incentivaram a perceber as coisas, a conquistar espaços e a entender melhor a vida. Posso chamá-las de mentores. As que entenderam nossas limitações e nossos potenciais, dando-nos oportunidades. Há muito que tenho uma gratidão, na acepção da palavra, às pessoas mentoras que passaram, ou ainda existem, em nosso dia-a-dia.

Além de minha mãe Anna e minhas tias, que compreendiam minhas traquinagens de menino, ou incentivavam a que continuasse criativo nas diversas coisas, posso relembrar que o avô materno José Gembarowski sempre me impulsionava, mesmo daquele modo polonês de tratar os seus netos. Claro, os meninos eram para ele uma alegria maior, pois tentara ter um garoto mas conseguiu somente seis meninas.

Quando era jovem, havia o seu Vicente Costa, que tinha um bar ali na esquina das ruas Morretes com Pará, na então Vila Guaira, hoje Portão, a ser meu primeiro mentor para o trabalho. Era chefe da turma da trabalhadores da empresa Sociedade de Engenharia Paranaense, uma das responsáveis pela construção da Rodovia do Café, na trecho perto de Apucarana. Ao abrir uma vaga de auxiliar na firma, lembrou-se de mim e foi me apanhar no serviço de balconista, onde trabalhava, no armazém de Arthur Feld. Isso era em 1959 e eu tinha completado 15 anos. Fiquei algum tempo ali, aprendendo datilografia e serviços de contabilidade, além de ser um faz-tudo em termos de escritório, no segundo andar do Edifício Pedro Demeterco, na Dr. Murici com Mal. Deodoro.

Depois, foi ele mesmo quem me arrumou meu terceiro emprego, no escritório de Adel Karam, na Amintas de Barros, onde fiquei até que fui convocado para o serviço militar e por isso não estava registrado. Seu Vicente era meu anjo da guarda, sempre torcendo por mim, embora toda a sua simplicidade.

Depois, no início do jornalismo, no jornal Última Hora, o mentor principal foi Mauro Ticianelli, sobre quem já abordei. Ao trabalhar como free-lancer, para ajudar nas despesas que se acumulavam ao ser noivo e casado, tive no médico e poeta Arildo José de Albuquerque um dos mais carinhosos mentores. Ele, diretor cultural do Clube Curitibano, almejava editar uma revista comemorativa dos 90 anos do clube e queria que eu o fizesse. Detalhe é que, mesmo culto e renomado na escrita, a sua humildade era tamanha que pediu que revisasse o longo texto que fez historiando a trajetória do Curitibano! Levei um susto e perguntei do porque, tendo ele me dito que era admirador dos meus textos no jornal, então Diário do Paraná. Por mais de oito anos trabalhei no Curitibano como assessor de imprensa, sempre com os olhos especiais de Arildo por perto.

Nesse tempo conheci também um outro mentor, Mário Pilotto, com quem tive um relacionamento de anos, ele que foi o sucessor de Arildo no departamento cultural do Curitibano. Com Mário aprendi como entender e resolver conflitos, nas mais diversas situações, no Rotary principalmente, já que fui presidente de sua gestão como Governador e mais tarde companheiro de clube, o RC Curitiba. Na minha gestão de Governador, Mário foi o coordenador das atividades da Fundação Rotária e um dos mais próximo amigo nas necessidades coletivas e às vezes pessoais.

Tenho ainda latente a minha gratidão pelo muito que recebi desses mentores. Pelas luzes sempre acesas mostrando os melhores caminhos…

  1. Flávio José disse:

    Estamos com saudades tu és especial

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