Ah, os tempos/contratempos de hoje!

Se perguntarem sobre o que é mais importante na sua vida, no seu dia a dia, entre a água, a eletricidade ou o celular, optaria por qual? Claro que é a energia elétrica, pois a água você pode reservar em qualquer recipiente, caixa, mas a energia nem tanto. O celular é apenas uma coisa que nos atende na comunicação, que pode ser urgente ou ficar para quando der ou necessitar. Sem energia, de nada nos serve, correto?

Sou dos tempos do lampião a querosene, das velas cheirosas ou não, quando morávamos na casa em que nasci, em Thomas Coelho, hoje Roça Velha, em Araucária, depois um pouco perto, na olaria dos Galarda onde minha mãe atendia mercadinho e meu pai tinha uma ferraria. Mudamos para a sede urbana de Araucária, logo na entrada, numa casa ao lado de um abatedouro de bovinos e equinos que fabricava também os famosos ´xaxixos´, bem na frente onde está hoje a lojona de materiais de construção do amigo e companheiro de Rotary, Luizinho Panek. Nesse tempo, meu pai trabalhava numa ferraria perto da estação de trem.

Mudamos dali para Contenda, no distrito de Serrinha, também com meu pai e mãe envolvidos com mercado e ferraria. Depois, quando eu tinha 8 anos e meio, isso foi em 1951, mudamos para o bairro que era chamado Vila Guaíra, na rua Morretes, 88, hoje Portão/Água Verde. Sempre usando lampiões e velas como fonte de claridade e fogões a lenha e serragem para a feitura da comida.

Nosso condicionamento aos benefícios da energia elétrica, em Curitiba, vem dos primeiros anos da década de 50. Quando a Companhia Força e Luz do Paraná (Copel assumiu Curitiba e a empresa na década de 60) instalou a rede elétrica na rua e e nos conectamos à luz, eram cinco focos (lâmpadas) apenas na casa, um em cada compartimento, sala, cozinha e os dois quartos, e o quinto posto na parte superior externa da porta de entrada. Quando conseguimos, compramos uma geladeira e rádio. O fogão continuava a lenha e alguns anos depois chegou o fogão a gás com quatro bocas.

Levantei essas memórias apenas para dizer que os tempos e os hábitos mudaram, com surgimento de infinidade de aparelhos mas sempre dependentes da força da eletricidade. Então, a coisa mais importante no nosso dia a dia está na energia elétrica, que normalmente esquecemos dela enquanto nos oferece conforto e nos dá raiva quando ela nos falta. Correto?

Ficamos irados no pior sentido quando nos falta água, quando a empresa distribuidora estabelece rodízio no abastecimento, como acontece hoje com a longa estiagem enfrentada. Somos vítimas do condicionamento ao conforto, sim, não nos lembrando ou imaginando como eram os tempos em que nem água e nem luz estavam disponíveis como hoje. Na Vila Guaíra, hoje Portão ou Água Verde, havia água disponível apenas nas esquinas das ruas, em torneiras, nas quais a população se abastecia. Os poços individuais nas casas passaram a ser abandonados.

Estamos, mesmo, preparados para entender que os confortos ou desconfortos atuais, eventuais, são possíveis e não apenas para aumentarem nossa pressão ou nosso ´stress?´

  1. Maria lazari disse:

    Que digo?
    já me falta paciência,atualmente, com quem reclama do rodízio, da energia que demora depois da tempestade, do isolamento etc etc. Digo a eles ” vão pentear grilos.
    Pra você quero dizer outra coisa. Sempre pensei que os desconfortos passados lá num distante interiorizão paranaense se devesse à distância. Vejo agora que vc passou o mesmo, na mesma época, beirando a capital. Como sobreviventes, acampamos em qualquer descampado . Com meio balde d’água.
    Coisa que alguns não entenderão.

    • Miecislau Surek disse:

      hehehe, Maria Tereza, isso mesmo. Poucos sabem o que é ir e voltar da escola sem sapatos. A casca grossa formada nos pés ninguém imagina ou vivenciou. Hoje há jovens que ficam desesperados quando lhe tiram o game…

  2. Elise disse:

    Boa reflexão! Bom texto.

  3. Minoru Sakate disse:

    Caro Surek, é tão bom conhecer as nossas vidas, parabéns.
    Pretendo escrever as minhas e seria bom se todos os Plus escrevessem a trajetórias de suas vidas. Abraços,

    • Miecislau Surek disse:

      São as melhores viagens, nessa privacidade no conforto da nossa casa, uma lareira acesa, um círculo familiar e de amigos que nos acompanha e nos suporta.

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