Isso mesmo, dentro das minhas vivências um dia fui detido no aeroporto Afonso Pena com uma cartela de balas 32 na minha mochila. Tinha retornando de um complicado programa de audiência pública em Bituruna, às pressas, chegando na casa de minha fllha Alessandra para trocar de roupa e ir ao encontro de Cristina e Cassiano para irmos a Foz do Iguaçu.
Na hora do check-in, eis que fui flagrado com a cartela na bolsa e fui levado para a Delegacia de São José dos Pinhais. E ali fiquei exatas 24 horas detido até que conseguisse o alvará de soltura, que foi trazida às 19 horas da sexta-feira.
Primeiro, o delegado dali me deixou à vontade com os escrivães, um deles um coxa roxo falante o tempo inteiro. Era colega de tiro do amigo Andrey e numa das conversas me disse que o problema meu era que um agente da Polícia Federal estava no aeroporto no seu primeiro dia de trabalho. Ao descobrir a cartela de balas, vibrava por prender ou apreender um cidadão portando munição. Como era da alçada federal, disse-me o delegado, eles, da esfera estadual, não podiam liberar.
Foi aquele corre-corre, familiares já tinham embarcado e acreditei eu poder me liberar naquela noite mesmo e me encontraria com eles no dia seguinte.
Um companheiro rotariano, Lúcio, deu-me uma ajuda, ao procurar um juiz de plantão ali pelas 21 horas mas não o encontrou. Tive que contratar um advogado e ele fez de tudo para conseguir o alvará, fato que ocorreu apenas na manhã seguinte e o documento veio às 19 horas de sexta.
Vocês me pertuntariam como foi possível estar portando uma cartela de 12 balas na minha maleta, não? Nas minhas costumeiras viagens pelo interior, levava um revólver na maleta e as balas. Nunca usei e nunca dei um tiro com aquela arma. Ao deixar o carro na casa da minha filha, esqueci das balas na mala…
E como foi que passei as 24 horas na delegacia? – seria a outra pergunta. Primeiro com meu laptop a tiracolo, fiquei num sofazinho junto aos escrivães, às vezes acessando emails ou só passando tempo. Cochilava um pouco, conversava com os agentes um tanto e o tempo adentrando madrugada.
Quando eram 6 horas, os agentes pediram que eu fosse para outro ambiente, o da cozinha, quando tomava café e conhecia alguns detentos que faziam e serviam a comida. O cozinheiro, por exemplo, me revelou que estava ali há algum tempo esperando uma audiência para ter a liberdade. Perguntei a ele os motivos da prisão e me disse que foi flagrado em Dioníso Cerqueira, no extremo noroeste de Santa Catarina, com muita droga conseguida em Florianópolis.
Um outro, um grandalhão, que o ajudava servindo os lanches e comida, disse-me que era motorista de caminhão e estava ali porque teve um atrito com uma pessoa, em Rio Branco do Sul. Na briga, ´era ele ou eu´, disse, ´e quem levou a pior foi ele´.
Fui liberado no começo da noite e meu companheiro de trabalhos Rubens Habitzreuter me convidou para jantarmos, ele mais branco de assustado do que eu. Mas comemos bem e nos confortamos num gostoso churrasco.
Meses depois, o advogado amigo Walmor e minha filha Alessandra me acompanharam na audiência no Fórum de São José dos Pinhais, para avaliar meu ´´´´”crime”. Já no início da audiência, tanto o juiz quanto o promotor público divertiram-se com o motivo da detenção. O promotor ria dzendo que era muito extranho ser detido por levar balas pelo aeroporto para Foz do Iguaçu quando o normal seria trazer balas de lá! Enfim, o caso foi arquivado e não há registros na minha ficha policial, acredito.
Se esse fato foi difícil? Ah, foi sim. Mas não desejaria ao meu maior inimigo ou adversário uma experiência igual.
A curiosidade maior, além de ser detido, claro, é que me deram um apelido, o de Vovô do Aeroporto!

O artigo ficou excelente
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Grato.