História é uma só, mas…

Todos sabemos que a história é uma só, mas as versões sobre ela dependem dos viventes, claro.

Para uns, a mudança do sistema político no Brasil em 1964 foi chamada de Revolução e outros de Golpe. Juram alguns que isso aconteceu no dia 31 de março, outros afirmam ter sido uma brincadeira de 1.o de abril. E a gente até brinca de que se foi brincadeira ela durou bastante, né?

É comum ler sobre fatos acontecidos na formação de uma organização ou entidade e tentar descobrir quais foram os protagonistas de sua criação. Assim foi quando nós, eu, Pe. Jorge Morkis e Paulo Filipake, do jornal LUD, criamos a União das Sociedades Polônicas da América Latina (USOPAL), depois de enviarmos uma carta, por email, ao então cônsul honorário polonês de Montevideo, Juan Kobylanski, propondo a ideia e o convidando para estar junto conosco. Ele era figura bastante polêmica nas relações internacionais e com liderança entre os poloneses e seus descendentes tanto no Uruguay como na Argentina.

Kobylanski não só aceitou a nossa ideia como se adonou dela. Fizemos alguns congressos exitosos, houve uma integração das comunidades polônicas da Améria Latina, viajamos em delegação até Varsóvia, fomos recebidos pelo presidente polonês Lech Walesa e, no final, nos documentos que originaram a USOPAL, o registro ficou como sendo de Kobylanski a ideia de existir uma entidade sul-americana. Nossa carta foi esquecida e nunca mencionada por ele e por seus sucessores.

Como Kobylanski patrocinava quase todos os eventos, nunca houve eleições para sucedê-lo, ficou ele como presidente até falecer. Sem ele, nada se ouve sobre a USOPAL e suas atividades. Mas a ideia do LUD funcionou por mais de 15 anos, mesmo que tenha sido escanteada na história, escondendo a verdade documental.

Outra ideia do pessoal do LUD foi a fundação da Associação da Família Vicentina, AFAVI, integrada por padres e ex-alunos de escolas vicentinas. A gente se reunia nas instalações do seminário maior para churrascadas e trucadas e decidimos formalizar a entidade. Era uma forma de resgatar as pessoas que estudaram em seminários e, não se formando padres, espalharam-se pelo mundo sem uma agregação formal e informal. Tempos depois, numa churrascada, eu usei da palavra e revelei como e porque criamos a AFAVI, incluindo no ambiente alguns ex-presidentes. Foi quando um dos religiosos presentes comentou que a existência de uma entidade já estava sendo pensada entre os padres vicentinos, cinco anos antes. O que constatei naquele momento é que a verdade histórica nem sempre é bem recebida por outros, sempre existe um mas…

Outra curiosidade me foi revelada dias atrás, quando da apresentação do Conjunto Junak de Folclore Polonês, no Guaira: o grupo, fundado em 3 de janeiro de 1960, comemorava os seus 60 anos (embora dois anos depois) e destacava em vídeos, no telão, seus fundadores remanescentes e dirigentes ao longo dos tempos. Foi muito bonito. Em 1966, um grupo de cantores e dançarinos, mais o regente e a coreógrafa, se contrariou diante de medidas administrativas e saiu do Grupo da União Juventus, depois de apresentações no Rio de Janeiro e em Brasília, além de dezenas de cidades brasileiras. Formou o Grupo Polonês do Paraná, hoje conhecido como Wisla, e acrescentou na sua história que o seu iníco foi no final da década de 1930…

Como se vê, a história é uma só, sempre, mas as versoes são as mais curiosas… É a vida.

  1. Presados.

    Não importa quem assume a ideia (mesmo que roubada), não importam o ano, a data, ou se houve continuidade ou não.

    Fica para sempre nos corações e mentes de quem ajudou, a satisfação de ter colaborado em uma boa ideia.

    Na vida, podem te tirar tudo, menos o que você sabe e o que você viveu.

    SEMPRE vale a pena !

    Abraço fraterno .
    Werner Egon Schrappe

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